Regresso

Pouco mais de duas semanas pro meu regresso, e eu não vejo a hora de voltar. Logo eu, que há alguns meses não via a hora de partir! Pra, no fim, descobrir que a melhor parte de partir é regressar.

Parti pra realizar um sonho que sempre tive; morar fora do país. Parti pra romper com as amarras de um trabalho que era seguro e estável, e que eu não tinha coragem de largar se não fosse pra fazer uma grande mudança de vida – por que será que parece mais fácil fazer uma grande mudança que uma pequena? Parti pra enfrentar meus maiores medos e inseguranças.

Muita coisa deu errado. Pouca coisa saiu como o planejado. Mas não foi por conta dos erros e dos percalços que eu decidi voltar. Eu decidi voltar porque chegou a hora. Porque eu quero.

Porque nesse tempo aqui, eu conheci pessoas, lugares, vivi experiências, venci desafios, e não tenho ninguém com quem compartilhar. Porque perdi aniversários, nascimentos, risadas, conversas e abraços.

Eu já sabia que não se pode ter tudo e que escolhas têm consequências, então eu escolhi aquilo que realmente importa.

Trabalhar com o que se ama é importante, mas não é tudo. Aventuras, e viagens, também não são tudo. Na realidade, não saber quando eu ia poder abraçar as pessoas que eu amo e estar perto delas de novo foi o mais perto de “nada” a que eu já cheguei.

 

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C’est fini

Esta semana tive uma outra grande mudança. Faz dois dias que terminei o tratamento médico da ansiedase generalizada, após aproximadamente dois anos tomando o antidepressivo Efexor XR. Já tinha reduzido a dosagem duas vezes nos últimos meses (150mg para 75mg e depois para 37,5mg, conforme cronograma da minha psiquiatra no Brasil), já tinha parado com o tarja preta (Frontal) há alguns meses, mas agora, acabou tudo.

Confesso que quando vi que era a última cartela e que estava no fim, ironicamemte, bateu a ansiedade: será que eu vou conseguir aguentar sem o remédio?

Antes de começar o tratamento, eu tinha muito medo de tomar esse tipo de medicamento. Eles são fortes, causam dependência, têm uma série de efeitos colaterais, e acima de tudo temos preconceito contra tratamentos psiquiátricos. Achamos que somos fracos, loucos, problemáticos, estranhos, entre tantos outros adjetivos, todos eles pejorativos, por procurar tratamento e tomar remédios. Crescemos ouvindo outras pessoas se referirem a pessoas com transtornos psiquiátricos como sendo fracas, loucas, “sem deus no coração”, e coisa pior. E um dia lá estamos nós, desesperados por não achar uma saída, tendo que se reconhecer como algo que nunca quisemos. Não aguentamos mais negar que precisamos de ajuda e finalmente tivemos coragem de procurar, mas não estamos preparados ainda pra “vestir a camisa”: escondemos dos outros, temos medo de admitir e de sermos julgados.

Mas depois de um tempo, e de equilibrar um pouco a química cerebral, vemos as coisas mais claramente. Conhecemos outras pessoas na mesma luta há mais tempo que nós e que nos dão apoio ao se abrir e se expor pra nos mostrar que não estamos sozinhos.

E aí tocamos o “foda-se”. Paramos de nos preocupar com julgamentos – afinal estamos nos sentindo bem como não nos sentíamos há muito tempo. Conseguindo fazer as coisas, resolver problemas que pareciam complicados demais, conhecer a nós mesmos e recuperar (ou seria mais correto construir?) a autoestima e a confiança em nós, nos outros e até no mundo.

Passamos nós a ser aqueles que admitem pelo que estão passando pra apoiar outras pessoas que estão sofrendo e não enxergam a luz. Nada disso, porém, acontece só tomando remédio: tem que mergulhar fundo na própria essência e encarar tudo aquilo que tentava esconder de si mesmo. Aliás, encarar não basta – tem que abrir a caixa de Pandora, mexer em tudo, enfrentar os fantasmas.

E aí, depois de dois anos fazendo tudo isso, no momento em que eu vi os meus últimos comprimidos de receita controlada, pareceu que tudo tinha ido por água abaixo. Bateu um medo gigantesco de não conseguir sozinha. Somado ainda à dor de cabeça, náuseas, tontura, uma surdez que vai e vem. Dependência psicológica, química e física atacando de uma vez só. Insônia, crises de choro, sentimento de impotência, e medo, muito medo, de voltar ao status quo de antes e ter que começar tudo outra vez.

Mas aí a gente lembra que não tem como voltar ao que era antes, porque a pílula não fez mágica alguma. Porque todo o progresso dependeu de mil outros fatores e mudanças. Porque já enfrentamos todas aquelas coisas que nos assustavam, reconhecemos nossas forças e fraquezas, qualidades e defeitos, deficiências e competências. Porque antes não enxergávamos nada disso, e agora “conheces-te a ti mesmo”. E porque sabemos que não estamos sozinhos.

Essa semana foi também de muitos desafios no mergulho, e em todos eles eu excedi as minhas próprias expectativas. Lidei com situações difíceis like a boss. E pra quem pensa que trabalhar com mergulho é alguma brincadeira, experimenta entrar na água e sair por um costão escorregadio, com ondas grandes quebrando em cima de ti, carregando 20kg de equipamento e sendo responsável pela tua vida e a de todas as pessoas que estão ali contigo. Ter que ajudar todo mundo quando eu tinha ainda dúvidas até se ia conseguir sozinha. Aí do nada veio uma calma e assertividade que eu nem sei se ja tinha sentido alguma vez, e tomei as rédeas de tudo sem ter dúvida alguma de como teria que fazer, e tudo fluiu sem maiores contratempos além de dois dedos cortados na escada de metal. E se a gente aprende a respeitar e enfrentar a força da natureza, talvez enfrentar a própria mente não seja tão difícil assim.

Além das fotos bonitas

Que no Instagram todo mundo é mais bonito, viajado, culto, feliz e come melhor que na vida real, a gente já sabe. E por um lado é até bom que seja assim, porque reclamação em rede social ninguém aguenta mais, querendo ou não prefiro ver fotos bonitas depois de um dia difícil a aguentar mais mimimi. Mas a gente não pode esquecer de ser real e que nem tudo são flores, nem na nossa vida, nem na dos outros.

Como já contei aqui, acabei saindo do Bahrain porque tive muitas dificuldades em me adaptar a tudo por lá. Recebi uma proposta boa no sul de Gran Canaria e resolvi vir. A oferta era um salário básico mais comissões, e hospedagem por um preço amigável em um apartamento ótimo em Mogán. Mais a possibilidade de contratação a longo prazo de forma legal, e o empregador pediu pra eu providenciar a documentação e entrar em contato com a Embaixada Espanhola pra orientação, o que eu fiz. Para um brasileiro imigrar com um visto de trabalho, o ideal é iniciar o processo no Brasil e aguardar, mas no site também diz que é possível dar entrada no processo na própria Espanha, o que eu optei por fazer pois não tinha como dar entrada estando no Bahrain. Paguei quase 900 euros a passagem (as Canárias ficam na costa do Marrocos, pra quem não sabe, e as passagens pro continente eram baratas, mas não pras ilhas!).

Mas, chegando lá, não foi bem assim. As vezes em que tentei que meu empregador preenchesse meus papeis, ele inventou desculpas. E de vez em quando ainda vinha com papos como não usar a camiseta de staff no centro, e dizer que eu era trainee caso alguém me perguntasse, e logo vi que não estava bem intencionado. O centro tem 5 estrelas no Tripadvisor e também na PADI, razões pelas quais eu confiei, porque sempre checo as referências. Havia uma outra proposta na Gran Canaria que descartei de imediato porque algumas avaliações eram péssimas, e eu não saí de uma situação ruim pra me meter em outra. Mas caí mesmo assim!

Logo o dono do divecenter também se mostrou um legítimo cuzão – com perdão da palavra, mas nada descreveria melhor. Ele tratava com grosseria a mim, à divemaster em treinamento (também brasileira, mas residente na Espanha há 12 anos) e a um estágiário da faculdade de Turismo de 19 anos que tinha vindo da França. Especialmente quando tinha plateia. Além de fazer piadinhas inconvenientes e/ou machistas com alguns clientes. E um legítimo sr. dono da razão. Vi que aquilo não ia dar pra mim porque eu não tenho mais um pingo de paciência pra isso e já engoli sapo que chega dos cuzões politiqueiros da Civil e do governo em dez anos e meio. O divecenter era desorganizado, os equipamentos não estavam no melhor estado, e o único foco dele era o dinheiro. Pra completar, aconteceu um incidente desagradável em um mergulho com correnteza e o staff se mostrou despreparado pra agir numa situação de emergência e quem estava em risco era eu, mas teria sido muito pior se fosse um aluno. Após o incidente, eu conversei com o proprietário e ele tentou jogar a culpa em mim, além de debochar da minha cara, dizer que eu era dramática e etc, sendo que eles não tinham uma boia de resgate e se colocaram em risco pra me resgatar e qualquer um que fez rescue diver deveria saber que não se arrisca a vida de três pela de um e o resgate deveria ter sido feito pelo bote, e não com toda a tripulação pulando na correnteza e deixando o capitão sozinho com os clientes. Eu fui firme e mantive meu posicionamento, disse que não aceitava que ele debochasse de mim ou tentasse se isentar da culpa (Coisa que só estou aprendendo agora, porque sempre tive dificuldade em me posicionar, em dizer “não”, então talvez esses reveses tenham seu propósito: não permitir nenhum tipo de abuso ou desrespeito comigo, nem com outros na minha presença. Stand up for your rights).

Felizmente, no mesmo dia, recebi uma oferta em Tenerife, que é outra ilha do arquipélago das Canárias. Um dos proprietários do 12Dive cresceu em Ngunguru na Nova Zelândia (onde eu fiquei!) e trabalhou com a Dive! Tutukaka (onde fiz meu DM!), e sabe dos excelentes padrões de ensino e treinamento deles, então me chamaram. Já deixaram claro que não é possível obter a residência neste momento (e talvez nunca), então fizemos um contrato de estágio remunerado, mas não vou receber menos que um profissional por isso. E, felizmente, já no primeiro contato tudo era bem diferente: organização, cordialidade, atendimento, documentação, padrões da PADI e etc. Finalmente um pouco de seriedade e satisfação, embora a curto prazo. Então vou aproveitar estes meus dois meses e meio por aqui e tentar planejar o próximo passo, que eu não sei ainda qual é 😱
Então não se enganem; nem tudo são flores como parecem nas redes sociais. Embora eu só poste fotos lindas, estou tendo que lidar com as incertezas, com a falta de estabilidade, com as mudanças recorrentes e com alguns oportunistas pelo caminho. O que não significa arrependimento, mas não é exatamente fácil se adaptar a um novo modo de viver e enxergar a vida, especialmente na hora de dar satisfação pra minha mãe. 😂 Mas foi isso que eu escolhi e assumi os riscos, então não posso ficar reclamando. Estou tentando fazer o melhor e manter o pensamento mais positivo possível, embora alguns dias bata aquela deprê. A gente sente saudades de casa, das pessoas, do conforto e do conhecido, mas de certa forma estou aprendendo a apreciar as mudanças e não ficar em uma situação desagradável, e sim buscar uma saída, uma alternativa.

Mudança de planos

Fiquei pouco mais de dois meses no Bahrain, mas foi o suficiente pra ver que não valia a pena prolongar a estadia, embora pudesse ficar e trabalhar legalmente no país por um ano e tivesse um contrato a longo prazo. 

Primeiramente, o clima, que era o que eu mais temia, revelou-se realmente extremo. A gente pensa muito no calor, e embora 35° pela manhã e alguns dias na primavera chegando a 45°, o difícil mesmo foi aguentar a secura extrema, abaixo de 40% de umidade. Não há quase natureza, tudo é deserto e asfalto e tudo é planície.

Eu bebia em média 3,5 a 4l de água por dia, e ainda estava desidratada. Nariz sangrando diariamente, garganta e ouvidos coçando (e pra mergulhador, qualquer desconforto ou problema de ouvido não é um bom sinal). Pra ajudar, a minha pele é super sensível, e é claro que eu comecei a descamar dos pés ao couro cabeludo, mesmo me besuntando com uma mistura desagradável de óleo de amêndoas puro com óleo de rícino. Além da secura, a água encanada ainda tinha cloro em excesso, o que não ajudou.

Em relação ao trabalho, acabava passando muito mais tempo no escritório que na água. Sei que ainda é Ramadã e nessa época tudo fica meio parado no Oriente Médio, mas não sei se ia melhorar tanto assim pelo que pude observar do mercado.

Além disso, infelizmente, muitas coisas na cultura local me incomodaram. O país é liberal em relação às vestimentas e eu preferia andar um pouco mais coberta, mas esse não era o problema. Lá também as mulheres dirigem, estudam e trabalham, e embora seja um país machista, talvez seja menos até que o Brasil. A religião não me incomodava, porque pelo que aprendi do islamismo, ele não é lá muito diferente do cristianismo no que prega, e os muçulmanos, como os cristãos, também se dividem em mais ou menos conservadores. Tem muçulmano e muçulmana que faz sexo antes do casamento, assim como cristãos. Tem muçulmano que bebe uísque e vinho, às escondidas, e até descobri que o pessoal de lá curte uma marijuana, e tudo isso é pecado no islamismo. Os muçulmanos em geral abominam o ISIS e a Al Qaeda, o que eu já sabia, mas que muitos outros ocidentais, com base apenas em preconceitos, ignoram. 

Os muçulmanos, como a maioria dos cristãos, também são um tanto hipócritas e escolhem acreditar naquilo que sua religião lhes convém. Por exemplo? As vestes, segundo o Corão, devem ser simples e as pessoas devem evitar joias e ostentação, mas já que o Corão não menciona carros (porque eles não existiam), não tem problema nenhum ter quatro carros de luxo por pessoa. O jejum do Ramadã, entre outros propósitos, é feito para que eles saibam como é sentir fome e sede e sejam mais generosos. Na prática, no Bahrain e nos demais países da região, manter trabalhadores indianos, bangladeshi, nepaleses, filipinos e paquistaneses em condições análogas à escravidão é perfeitamente aceitável, e eu fiquei muito incomodada com isso. Em geral, eles “importam” esses trabalhadores e exigem deles uma servidão absoluta. Com isso, logicamente, existe muita desigualdade social.

Outro grande incômodo foi a questão ambiental. Logicamente que um país que depende economicamente da exploração de petróleo não vai ser o mais sustentável dos países, mas sendo um país de primeiro mundo e com uma educação de alto nível, eu não esperava tanto descaso com o meio ambiente. Não é raro ver motoristas arremessando lixo pelas janelas das suas Land Rovers e Porsches. Além do lixo, a cultura local também é do desperdício. Outro dia vi um vídeo dizendo que, se todos os países consumissem como a Espanha, precisaríamos de dois planetas. E se consumisse como o Kuwait (vizinho do Bahrain), precisaríamos de DOZE. E eu pude entender o porquê. Apesar de o país não possuir reservas naturais de água potável e depender essencialmente de água dessalinizada, que possui um alto custo, consome muita energia e gera muita poluição, não há economia. E, além da água, todo o resto.

E é crime criticar ou falar mal do governo estando no Bahrain, e bocuda que eu sou, tinha um certo receio de em algum momento acabar na cadeia por conta de alguma crítica postada na internet, hehehe.

Vou sentir (muita) falta da comida, da animação e da hospitalidade dos árabes (e da seção de orgânicos do Lulu), mas viver lá não é pra mim. 

Surgiu, então, uma oportunidade imediata em Gran Canária e eu, depois de conversar com meu patrão no Bahrain a respeito e ele ter entendido meus motivos e me liberado do contrato (pelas normas do país, ele poderia ter exigido que eu ficasse), aceitei e vim assim que pude. Tive que deixar uma mala por lá com meu porque a Emirates tem franquia de apenas 30kg e eu tinha outro volume de 19kg, e o valor do volume adicional era um absurdo (muito maior que a passagem!). Agora, tenho coisas espalhadas em três continentes (sim, ficaram umas coisas minhas na Nova Zelândia ano passado também!).

Fazer essa mudança também foi um conflito, eu já estava há uma semana tendo insônia, mas concluí que nada me prendia ao Bahrain e que eu não saí de uma situação desconfortável e estável pra viver em outra, então aproveitei o embalo pra seguir procurando. Mas confesso que essa “derrota” (de certa maneira) me desanimou um pouco, e estou tentando voltar ao estado de paz e segurança que eu estava quando saí do Brasil.

Até o momento as Canárias têm se mostrado um pedacinho de paraíso, com um clima agradável – é calor de dia e fresco à noite, praticamente durante todo o ano, e é seco, mas não desértico -, natureza, e uma localização privilegiada no Atlântico que faz as ilhas terem excelentes condições de surfe, kitesurfe, mergulho – praticamente todos os dias posso ir pra água ao menos uma vez! – e esportes aquáticos em geral, além de trilhas e caminhadas, como já era de se esperar de um território espanhol, esse povo que adora construir lugares para pessoas desfrutarem da paisagem e do convívio, com largas calçadas e áreas comuns. Um bom lugar pra recomeçar de verdade.

Como fazer política sem falar de política

Por mais que eu poste muita coisa sobre política, acreditem, na maior parte das vezes eu não to com saco pra ficar defendendo a minha posição pra quem vem na minha postagem questionar ou discordar. Eu não costumo entrar na página de nenhum de meus amigos que têm visões diferentes das minhas pra alfinetar e criticar, às vezes posso no máximo compartilhar uma reflexão, e na maioria das vezes os meus compartilhamentos têm o intuito mesmo de espalhar a informação pra quem quiser ler e tirar suas próprias conclusões.

Sério, tudo que eu puder argumentar com vocês em favor dos meus pontos de vista já está escrito e publicado em algum recanto da internet, muitas vezes escrito de forma muito melhor que a minha argumentação. Assim como eu também conheço os argumentos de vocês pra defenderem os seus pontos de vista, porque eu não leio só aquilo que concorda comigo, eu também leio aquilo que é oposto ao que eu penso pra tentar compreender pessoas que pensam diferente de mim.

Todas as minhas posições políticas hoje são embasadas em extensa pesquisa e leitura, porque eu AMO ler, eu amo informação, eu quando quero saber sobre algum assunto vou dar um Google e ler 20 artigos, e encomendar três livros, além da minha vivência pessoal, claro, porque as nossas experiências intereferem na forma como formamos opinião. Eu já mudei de opinião, mais de uma vez. Eu já postei aqui em meu próprio FB, anos e anos atrás, opiniões defendendo o “bandido bom é bandido morto”, por exemplo, mas a gente EVOLUI. A gente começa a se informar e abrir os olhos, e cada vez mais frases reducionistas que tentam promover soluções simples pra problemas complexos (essa frase já é minha marca registrada) deixam de fazer sentido.

Os problemas que temos hoje, enquanto nação, enquanto sociedade, enquanto cidadãos do mundo, são comuns a TODOS. Temos que entender que todas as 7 bilhões de pessoas do planeta estão ligadas. Que um ínfimo ato de violência cometido aqui, como por exemplo mandar alguém tomar no cu no trânsito, vai reverberar e pode em algum momento se transformar em algo tipo uma guerra. Que todo o ódio e amargura que espalhamos por aí volta pra nós.

Quer fazer do mundo REALMENTE um lugar melhor? Enxergue que TUDO que você faz é um ato político. Comer é um ato político, porque quando você come, você pode estar escolhendo colaborar com o desenvolvimento de um agronegócio sustentável, de pequenas famílias, orgânico, com comida que tem até mais sabor e nutrientes que aquelas que provém dos grandes produtores que desmatam sem se preocupar com as consequências, enchem a produção de agrotóxicos e empobrecem o solo com a monocultura, a ponto de ele correr o risco de não poder mais produzir. Comer menos carne é um ato político. E não to dizendo aqui que você tem que virar vegano não. Mas que tal comprar de pequenos produtores? Que tal pescar o próprio peixe? Vegetarianos e veganos não param de comer carne por peninha de animais só não, porque a natureza tem o ciclo de morte também. Eles param porque a grande indústria frigorífica desmata a Amazônia pra fazer pasto, cria galinhas em espaços confinados, estando assim mais sujeitas a doenças, e enche esses animais de aditivos pra que eles cresçam mais rápido e morram mais cedo, porque assim se aumenta o lucro e diminui os gastos.

Comprar é um ato político. Cada vez que você compra aquele artesanato que a sua tia faz ou manda fazer um vestido na costureira da sua rua, você está contribuindo para o sustento daquela pessoa através do seu negócio, que provavelmente ainda é um ofício que ela escolheu por PRAZER. Sim, trabalho não precisa ser tortura, trabalho pode ser prazer. Mas cada vez que você vai na Zara, na Renner e afins, você está pagando por produtos produzidos por pessoas em condições de semi-escravidão, às vezes crianças, que trabalham em fábricas insalubres que emitem gases tóxicos e contaminam o ar e os rios.

Quanto mais pequenos negócios, mais famílias e pessoas produzindo de forma amigável e se sustentando com seu trabalho, e ainda sendo FELIZES, ao invés de trabalharem pra grandes corporações em trabalhos repetitivos e em troca de baixos salários, sem propósito na vida, sonhando com a sexta-feira e odiando a segunda, pra maximizar os lucros dos patrões. Um pequeno produtor rural vai se envolver em todas as fases da produção, vai arar a terra, semear e colher, enquanto um funcionário do agronegócio vai fazer repetidamente a mesma tarefa durante 30 anos até se aposentar – ou mais se passarem as reformas previdenciárias.

Sorrir é ser gentil são atos políticos. A cada vez que você sorri pra uma pessoa, mesmo que ela talvez não tenha te tratado com a maior educação até, você está quebrando o ciclo da raiva e da violência. Uma pessoa que te agride gratuitamente pode refletir a respeito da sua atitude e ver que estava errada na forma que te tratou. Quando desrespeitamos alguém, geralmente o fazemos jogando as NOSSAS frustrações sobre o outro. Então aprender a lidar com as suas frustrações e seus problemas de forma madura e responsável, ao invés de descontar sua raiva na esposa, no marido, no filho, no cachorro, também é um ato político. Amadureça.

Compartilhar é um ato político. Muitos dos nossos problemas atuais se dão por conta da segregação que estabelecemos depois de criar um abismo social entre classes. Antigamente, o patrão e o empregado moravam na mesma rua. Os seus filhos brincavam juntos e frequentavam a mesma escola. Um conhecia a realidade do outro, e assim não sobrava espaço pra ódio, preconceito e suposições. Hoje segregamos os mais pobres nas periferias porque não queremos ver pobreza, e os mais ricos se emparedam em seus condomínios de alto luxo porque não querem se misturar com quem esteja fora do seu seleto grupinho. Voamos de primeira classe e olhamos feio a classe econômica entrando na aeronave depois de nosso embarque preferencial, e a classe econômica passando fica com raiva de ter que passar as próximas horas espremida pra que a primeira classe tenha espaço suficiente pra deitar. O problema é que não dá pra todo mundo viajar deitado e aqueles que têm o privilégio (sim, privilégio amore, não é mérito) não querem ceder parte do seu espaço pra que aqueles que eles consideram menos importantes consigam ao menos fechar as pernas sem encostar os joelhos na poltrona da frente. A gente ergue muros ao invés de construir pontes, mas são as pontes que nos fazem chegar a todos os lugares.

Amar é um ato político. Quando o mundo é dominado por ódio, movido pelo dinheiro, pelas relações de poder, pelos relacionamentos superficiais e pelos interesses, nada é mais revolucionário do que amar verdadeiramente alguém, alguma coisa, ou todas as coisas. Quem ama a natureza, preserva. Quem ama a primavera, admira as flores ao invés de colhê-las. Quem ama verdadeiramente as pessoas, importa-se com elas. Com TODAS elas. Mesmo com aquelas que você não gosta. Se eu quero a morte de todos os corruptos? NÃO! Eu queria que eles enxergassem o quanto as suas vidas são tão vazias que tudo que eles têm é dinheiro, mesmo que custe as vidas alheias. Eu queria que eles descobrissem o que é o amor. Quando a gente descobre o que é o amor, de verdade, a gente não é tolo de duvidar do poder transformador que o amor – e só o amor – tem.

Então, caro amigo com opiniões diferentes, sério, antes de querer vir me encher o saco porque eu declaro que não voto no menos pior se todas as opções me parecem ruins porque você acha que eu não estou cumprindo meu papel de cidadã se eu escolher não votar, ou se você acha que a política só vai mudar se matar todos os corruptos, e a violência se matar todos os bandidos – e sequer se preocupa com quem é que vai decidir quem é bandido ou não e baseado em que critério, como se tivesse a certeza de ser impune -, e ficou indignado com a minha postagem em que eu afirmo que armar a população não vai aumentar a sua segurança, ou antes de vir escrever Bolsomito 2018 na minha timeline sem nem ter se dado ao trabalho de entrar na página da Câmara pra verificar o quanto o Bolso é um político INÚTIL, pra falar o mínimo, e prefere acreditar em discursos a acreditar em fatos, primeiro veja se você está AGINDO de forma política pra transformar o mundo, ao invés de só falando e comentando no Facebook ou enchendo o saco daqueles que estão agindo em todas as esferas em que podem agir, ainda que sem postar a respeito.

E pesquise. Leia aquilo que as pessoas que pensam diferente de ti escrevem pra defender as opiniões delas. Leia filosofia. Leia história. Leia sociologia. Leia psicologia. Leia sobre o meio ambiente, leia sobre praticar a paz e o amor, leia sobre as muitas iniciativas incríveis que as pessoas e comunidades estão tomando pra colocar a mão na massa e mudar as coisas pra melhor. Compreenda que a economia não é um problema isolado, a segurança não é um problema isolado, o desemprego não é um problema isolado, e sim que TODOS esses problemas e mais muitos outros caminham juntos, e que enquanto pensarmos em ações isoladas direcionadas a cada um deles, e não em ações globais que abranjam a todos, não tem como melhorar nada.

Por que eu saí da polícia?

Por que eu saí da polícia? Porque em um dado momento eu consegui perceber que eu só prendia bandido “chinelo”. Que todos os traficantes, homicidas e ladrões que eu mandava pra cadeia eram pobres coitados. Que o “maior” traficante que eu investiguei era um distribuidor local que morava no Promorar em Itajaí e ganhava o suficiente pra construir uma casa de alvenaria de dois pisos e comprar um caminhão de frete, mas que, apesar disso, o tráfico de drogas movimenta bilhões de dólares anualmente.
Porque, toda vez que a gente começava a investigar ou prendia alguém ligado aos jogos de azar, por exemplo, algum superior hierárquico ligava pessoalmente ou mandava alguém na delegacia intimidar o delegado ou a equipe que realizou a prisão.
Porque milhões em armas e drogas cruzam as fronteiras todos os dias, e que por mais que para que isso aconteça necessite haver um policial corrupto na base ganhando uns trocados pra fazer vista grossa, tem que haver muito mais gente corrupta acima dele ganhando somas muito maiores pra garantir que o sistema funcione.
Porque pra cada traficante de pedrinha de crack preso na periferia, um helicóptero com meia tonelada de cocaína é ignorado pela Justiça, pela mídia, e até mesmo pelo tal do povo que se diz cansado de corrupção e de sofrer.
Porque dezenas de vezes eu confrontei e perguntei porque diabos eu era mandada pra fazer algo que não era minha atribuição ou dar tratamento especial porque alguém precisava de uma “atenção especial”. E porque todas essas vezes eu fui ameaçada de sindicância, advertência e afins se não ficasse caladinha e parasse de fazer perguntas e incitar a indignação dos demais colegas na rede interna de e-mails. E aí eu tive que me calar, e calar me fez doente.

Eu saí da polícia porque eu sou insubordinada se ser subordinado é fechar os olhos pra um monte de coisa errada e obedecer a superiores que estão fazendo essas coisas e querendo te obrigar a jogar o jogo deles.
Eu saí da polícia porque eu acho que Policial Militar que bate em manifestante deveria era dizer “não vou bater nessa gente que está protestando contra as sujeiras de vocês”, e se prostrar com suas armas AO LADO dessa população e contra aqueles que estão no comando desviando dinheiro e recursos e prejudicando a todos, porque a polícia existe pra proteger o povo, e não pessoas que se apropriaram do Estado pra ferrar com o povo em nome de interesses financeiros pessoais e corporativos. Mas eu acabava sendo considerada subversiva.

Eu saí da polícia porque acho que bandidos são sim vítimas, não da sociedade, mas do sistema. Assim como a população em geral é vítima desse sistema. E a polícia. E, ao mesmo tempo, todos continuam cumprindo seus papeis exatamente como o tal sistema espera que eles cumpram: O polícia diz “sim senhor” e não questiona, e passa a odiar o bandido sem tentar compreender a realidade dele, e o povo se assim for mandado. A população se divide em odiar a polícia cada vez que erra aos seus olhos e idolatrá-la cada vez que “extermina” algum bandido. O mesmo cara que diz “tem mais é que matar todas essas pragas mesmo” diz “eu sou pai de família, vocês deveriam estar prendendo bandido”, quando é multado em uma blitz. E odeia o bandido porque se acha melhor que ele pelo fato de ser uma quase perfeita ovelha trabalhadora e pagadora de impostos. O bandido, que enxerga no trabalhador e no policial o seu inimigo, cumpre com maestria o papel que o sistema destinou pra ele; o de ser o arquiinimigo dos outros dois.

Enquanto estamos aqui embaixo preocupados com a violência urbana, com a pichação, com cobrar que o “bandido bom” seja morto, convenientemente esquecemos dos bandidos de colarinho branco que se refestelam com a nossa miséria. Eu desisti de ser polícia, embora tenha continuado na polícia, o dia em que percebi que os meus governantes não se importavam nem um pouco com a minha vida ou dignidade enquanto policial, assim como não se importam nem um pouco com a vida e a dignidade do trabalhador “pai de família” vítima da violência urbana e dos altos impostos que financiam a corrupção, da mesma maneira que não se importam com esse bando de preto pobre morrendo diariamente na guerra contra o crime. Quer dizer, a guerra contra certos crimes.

Imagina que louco seria se todos os policiais da base resolvessem se colocar ao lado da população que reivindica por seus direitos, ao invés de se intimidar ou querer puxar o saco dos oficiais lambe-botas pra ter algum benefício pessoal? Uma população com escolta policial armada questionando uma meia dúzia de políticos corruptos acompanhados de outra meia dúzia de oficiais que nunca tiraram as bundas das cadeiras pra nada.

Se todos os juízes e promotores que ficaram quietinhos quando o Congresso aprovou um auxílio-moradia de 4.500 reais pra si e para eles tivessem se ofendido com o acinte dessa tentativa de suborno, e cumprido o seu papel de fiscalizar e fazer Justiça, pressionando pra que um auxílio-moradia que vale 5 vezes mais que o salário-mínimo fosse tirado de cogitação, ao invés de preferir morar em cobertura na beira da praia e andar de BMW. Aliás, por essa razão que eu também desisti de querer ser Promotora, enquanto cursava a Escola do Ministério Público.

Se toda a população estivesse em frente aos congressos e casas legislativas, fazendo greve, e talvez usando a camiseta amarela e batendo panela quando seus direitos fundamentais estivessem sendo violados, ao invés de dizer “eu não vou lá me misturar com aquela gente do lado oposto ao meu!” Vocês não tão em lado nenhum, amigos, vocês tão na base da pirâmide alimentar, embaixo dos pés desses políticos que fazem coligações com partidos cuja ideologia em tese é essencialmente oposta à sua, e sabe por que? Porque esses políticos não têm mais ideologia, eles têm interesses. E esses interesses são todos pessoais. E todos esses interesses se beneficiam do sistema capitalista do jeitinho que está. Não existe esquerda no Brasil. Não existe liberalismo. Tudo que existe são os interesses financeiros de alguns grupos e pessoas, não importa a sigla que use.

E imagina que louco se o pobre e bandido também percebesse que ele está lá exatamente cumprindo o seu papel de manter o resto da população ocupada. De ser o bode expiatório culpado por todas as mazelas. De ser a isca. E ele percebesse que ele não precisa ficar esperando que esse Estado comandado por esses bandidos faça alguma coisa por ele pra melhorar de vida. Percebesse que o pagador de impostos que tem um carrinho popular financiado e um iPhone não é melhor que ele por isso. Percebesse que tudo que ele precisa é se engajar com a sua comunidade local pra deixar o seu bairro melhor, e pôr um pouco a mão na massa.

Não to dizendo que é fácil pra todo mundo perceber o poder que realmente tem e que não precisa esperar por eleições, por mudança de partido ou de políticos pra melhorar. Mas essas pessoas precisam perceber que elas têm valor e que elas podem fazer. Precisam PARAR de cumprir com esses papeis que lhes foram designados e se assumir como agentes de transformação.

“de todas as casas da cidade saíram mulheres armadas de vassouras, baldes e pás, e, sem uma palavra, começaram a varrer as testadas dos prédios em que viviam, desde a porta até ao meio da rua, onde se encontravam com outras mulheres que, do outro lado, para o mesmo fim e com as mesmas armas, haviam descido.” Esse é um trecho do livro “Ensaio sobre a Lucidez de Saramago. As mulheres saem de casa e varrem as ruas quando o governo, na tentativa de punir a população que estava reivindicando de volta o seu poder, resolveu suspender os serviços de limpezas das ruas e coleta de lixo. E os coletores de lixo continuaram fazendo seu trabalho, sem seus uniformes. Esse livro é uma fantástica obra de ficção que mostra o que acontece quando a população reconhece e reivindica o seu poder.

A mudança é POSSÍVEL, e ela começa de dentro e de baixo. Nunca vai começar por cima. Reconheçam isso, arregacem as mangas, e vejam o que cada um de vocês, independentemente da posição em que estejam, podem fazer pra transformar as coisas pra melhor e rejeitar o papel que esperam que vocês cumpram. A gente não pode confrontar o poder financeiro deles, mas a gente pode secar a fonte.

Eu saí da polícia porque eu não preciso ser policial pra ajudar a transformar o mundo. Eu saí da polícia porque eu não queria continuar recebendo ordens dessas pessoas sujas que fazem parte desse sistema. Porque eu não queria continuar fazendo a máquina girar pra fingir que ela funciona, porque o nosso sistema judicial inteiro existe pra enganar e fingir que há Justiça, e vocês estão vendo que ela não existe e nem existirá enquanto esse sistema der poder a essa gente. Porque fora da polícia eu posso postar isso no meu Facebook sem ser perseguida ou intimidada em relação ao meu trabalho. Eu saí da polícia porque eu posso muito mais enquanto indivíduo e como parte da população que como servidora.

Talvez meu post pareça anarquista, mas eu não sou contra o Estado. Eu sou contra esse Sistema que se apropriou do Estado. Um Estado que funciona e que é gerido por pessoas que se preocupam com um mundo melhor é benéfico. Um Estado que passa a existir em função de interesses financeiros em detrimento da população, não é um Estado democrático, é uma tirania.

Como é ter transtorno de ansiedade

Aviso que esse textão contém informações íntimas e um tanto pessoais, e que eu estou aqui escrevendo pra mim, pra quem mais possa se identificar com o que eu escrevo e se reconhecer e sentir acolhido, e para aqueles que querem compreender melhor a questão da ansiedade, seja por estudarem o tema ou por terem um ansioso na sua vida. Quem quiser julgar e se refestelar com a dor alheia, sair por aí fofocando e etc, tá tudo aí pro seu deleite também: isso é parte de mim e não pode ser usado pra me atingir porque eu não tenho mais vergonha de ser quem eu sou – é reconhecendo meus defeitos que eu posso lidar com eles e me tornar mais forte. E é graças a isso que hoje eu posso enxergar em você aquilo que você tenta desesperadamente esconder dos outros e de si mesmo – mas relaxa que eu nunca usaria as suas fraquezas pra te atingir.

Ontem passei o dia com um terrível dor de cabeça, daquelas que não se consegue olhar pra luz, tremor nas mãos, e a noite foi seguida de insônia total, de varar a madrugada deitada, relaxando, esperando o sono chegar, mas tudo que se consegue é começar a sentir dores pelo corpo. Não consegui vir pro trabalho ontem. Minha mãe hoje pela manhã perguntou se tinha acontecido alguma coisa e eu disse que não, apenas insônia mesmo, mas depois de alguns minutos consegui pensar que tinha sim acontecido alguma coisa: eu diminuí pela metade a dosagem do medicamento que tomo há mais de um ano pra controlar a ansiedade uns dias atrás, mas não tinha associado uma coisa à outra.

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Hoje em dia muito se fala em ansiedade. A Organização Mundial da Saúde estima que 33% da população mundial sofra transtornos de ansiedade, e o Brasil é o país que lidera o ranking mundial. O meu transtorno foi identificado há quatro anos por uma psicóloga que eu consultei, na época pra tratar uma depressão, e as ansiedade e depressão podem caminhar juntas e/ou alternar-se em diferentes períodos da vida.

Meus pais sempre souberam que eu era ansiosa e eu também, mas eu até lá não sabia que isso era um transtorno – algo “anormal” e com o qual a maioria das pessoas não lida. Quando eu comecei a pesquisar mais a respeito, muito sobre mim passou a fazer sentido, e olhei pra trás e vi que sequer sabia o que era não ter ansiedade, pois minhas lembranças dela vêm da mais tenra infância.

Roer as unhas: é um hábito associado à ansiedade. Eu, particularmente, nunca fui de roer as unhas em si – eu sempre roí a pele ao redor das unhas, já tendo chegado ao ponto de deixar as pontas dos dedos em “carne viva” até alcançar as falanges. Outra coisa que eu costumava e ainda costumo fazer, é cutucar espinhas, cravinhos e afins, até criar uma “casquinha”, e aí cutucar essa casquinha o tempo inteiro até que ela se torne uma ferida 3x maior que era a espinha inicialmente. O mesmo serve pras “casquinhas” de machucados, ou pras “pelinhas” que soltam quando pegamos um sol a mais na praia ou fazemos uma nova tatuagem. Às vezes, eu vou mexer ainda mais até dar problema e eu sei que isso é um comportamento de automutilação e que é uma forma errada de aliviar dores emocionais. Por isso que hoje estou aqui escrevendo sobre isso – escrever é uma forma muito mais sensata de falar sobre as minhas angústias que me machucar.

Compulsão alimentar: também desde criança eu tenho problema de compulsão, especialmente por doces. Claro que toda criança gosta de doces quando os experimenta e eu venho de uma família de “formigas”, mas são poucas aquelas que são lembradas pelas mães das amigas porque, nas festinhas de aniversário delas, eram esganadas e queriam o pedaço maior, ou acabar com a sobremesa antes de todo mundo. No final da adolescência, eu enfrentei bulimia por um certo período e tive medo de contar pra minha família (que se estiver lendo, só vai saber agora), e quem me acolheu, acalmou e incentivou a enfrentar foi meu namorado à época. Às vezes eu fazia coisas absurdas como comer uma torta de limão inteira sozinha, no meio da tarde, e em seguida pôr tudo pra fora. Claro que era um conjunto entre a minha ansiedade, o fim do ensino médio e a preocupação em relação à qual carreira seguir, aliados a uma péssima imagem corporal – porque eu, como a maioria das garotas de 17 anos, achava meu corpo horrível e sentia-me extremamente insegura em relação a ele. Começou só com os doces em excesso, depois passou pra alimentação em geral, mas não durou mais de um ano, e eu parei de vez quando comecei a ter gastrites e refluxo – porque morri de medo de ficar com alguma doença mais grave e minha família descobrir. Acho que a minha sorte nessa etapa da vida foi que eu sempre gostei de praticar esportes e tinha uma certa preocupação com a saúde e o restante da minha alimentação era equilibrado, então apelei pras frutas, pras saladas, tornei-me vegetariana e consegui enfrentar as minhas ansiedades. Ocasional e esporadicamente, ainda tenho episódios isolados de provocar o vômito após um descontrole alimentar quando não estou no meu melhor dia, e às vezes ainda faço feio na hora da sobremesa na frente de outras pessoas (mas evito ficar arrependida e envergonhada depois por um deslize).

Doenças psicossomáticas, cansaço em excesso e dores pelo corpo: Eu recordo que, por volta dos 20 anos de idade, logo que comecei na Polícia Civil, cheguei a ter em torno de uma crise de amigdalite a cada dois meses, daquelas de ficar uma semana em repouso tomando antibióticos. Até que um dia alguém, que eu não recordo quem foi, disse-me que as amigdalites aconteciam quando a gente engolia aquilo que queria dizer aos outros. Sei que há quem não acredite nessas coisas, mas a partir desse momento eu realmente verifiquei que as minhas crises sucediam discussões complicadas em que eu calava ao invés de dizer o que sentia, porque até então eu era o tipo de pessoa que tentava reprimir qualquer coisa que pudesse mostrar que eu era fraca aos olhos alheios, e eu sempre tive o choro fácil e as lágrimas rolam descontroladamente quando eu tenho que falar sobre sentimentos. Nessa época, também comecei a fazer sessões de massagens e drenagem linfática e a minha massagista frequentemente se assustava com a quantidade e o tamanho dos pontos de tensão que eu acumulava, especialmente nas costas, pescoço e pernas, e dizia que não sabia como que eu conseguia sair da cama daquele jeito. Eu tinha apenas vinte anos, mas sentia dores e cansaço já há um bom tempo, como se fosse uma idosa, e minhas pernas pareciam muito pesadas apesar de praticar jiu jitsu, correr e fazer musculação, além de ter um trabalho que, à época, exigia de mim fisicamente.

Perfeccionismo: Eu tive uma criação um pouco mais rígida que a maioria das minhas amigas. A minha família sempre exigiu de mim excelentes notas e desempenho escolar, um grau de comportamento social mais elevado que o da maioria, boa aparência, e eu considero que isso foi bom e ruim na mesma medida. Eu sou a irmã e a neta mais velha, e acho que de certa forma eu sentia que tinha que ser exemplo, e era cobrada como tal. Durante muito tempo eu achei que nunca seria boa o suficiente em nada que fizesse, não importa o quanto eu tentasse, e eu exigia também essa perfeição das outras pessoas. Contraditoriamente, eu me achava a dona da razão e não raro perdia a cabeça tentando impor as minhas opiniões aos outros, fazia críticas não solicitadas, apontava defeitos através de “brincadeiras” maldosas e com a intenção de magoar, sem perceber que tudo isso era simplesmente pra jogar as minhas frustrações nos outros. Eu ainda sou um tanto exigente, mas hoje enxergo as coisas com uma diferente perspectiva: é impossível saber tudo sobre qualquer coisa, então me contento em ser uma eterna aprendiz e tentar sempre ser melhor do que eu era antes, mas não “perfeita”, e isso logicamente me tornou mais simples e me fez parar de querer impor minhas opiniões à força. Hoje eu apresento meus argumentos e, ainda que ache que a pessoa está muito errada, reconheço que não posso fazer com que ela concorde comigo e espero que em algum momento a vida lhe ensine o contrário. Também aboli a competição com outras pessoas, pois só é possível competir consigo, e assim foram embora muitos julgamentos, ressentimentos, e abriu-se espaço para compreender que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, como bem disse Caetano.

Pontualidade: Pontualidade é uma qualidade, certo? Concordo. Mas eu era o tipo de pessoa que marcava de sair às 22 horas, e estava pronta com duas horas de antecedência, pra passar o restante da espera olhando o relógio a cada dois minutos. Que, se tinha que chegar a algum lugar, calculava a distância, o tempo, colocava todos os imprevistos que pudessem surgir pelo caminho e adicionava tempo extra a eles, e era sempre a primeira a chegar aos lugares – com muuuita antecedência. Hoje eu só sou pontual, e se me atraso foi porque houve um imprevisto (e imprevistos não deveriam ser calculados!).

Bexiga hiperativa: Pra quem nem sabia que isso existia, é caracterizada pelo excesso de urgência ao urinar. A sua bexiga não está cheia, você sequer toma a quantidade mínima de água que deveria diariamente, mas você calcula que tem que sair de casa em dez minutos, então melhor fazer xixi umas três vezes pra garantir que você possa se deslocar em quinze minutos sem fazer nas calças, certo? Pois é assim que funciona e eu também sofro isso desde pequena. Chegava a ter pesadelos com não poder ir ao banheiro por conta dos muitos anos letivos da infância em que os professores não autorizavam você a sair durante a aula para fazer um mísero xixi, o que eu honestamente considero algo cruel já que crianças têm bexigas pequenas. Essa questão eu não venci completamente, mas passei a tomar muita água pra “fazer valer a pena”, e consultei um urologista que disse que, com a facilidade com que mulheres desenvolvem infecções urinárias por conta do comprimento da uretra feminina, quanto mais frequentes foram as idas ao banheiro, melhor.

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Crises de pânico: São sem dúvida uma das coisas mais assustadoras do transtorno de ansiedade. A minha ansiedade muitas vezes esteve associada a um leve grau de claustrofobia, e os ataques costumam ocorrer em situações em que eu me sinto acuada e sem saída. Três vezes aconteceram em meios de transporte em situações de congestionamento, e outras três em um único dia em que eu estava de Plantão na Central Policial do Inferno de Itajaí. Eu tinha tanto pavor daquele local e daquele plantão, que a minha ideia enquanto dirigia para lá era jogar o carro contra um poste, destruir o carro e e me lesionar pra não ter que ir. Evidentemente, todas essas crises foram desencadeadas em momentos muito obscuros da minha vida e motivadas por diversos fatores conjuntos, não isolados. As crises de pânico não são rotineiras mesmo na vida de um ansioso patológico, mas o TAG pode evoluir pra Síndrome do Pânico se não for tratado. Muitas vezes, a pessoa que é acometida por uma crise de pânico acredita que está morrendo, sofrendo um ataque cardíaco ou algo assim, e por não saber do que se trata, a crise se intensifica e ela só consegue se acalmar após encaminhada à emergência. Eu já sabia o que era porque meu pai sofre de Síndrome do Pânico, então eu estava familiarizada. Então, mesmo em meio às crises, consegui me concentrar em respirar pra tentar acalmar os batimentos e perceber que as soluções que eu estava buscando – como provocar um acidente e correr o risco de me lesionar – eram irracionais. Mesmo reconhecendo isso, era difícil controlar o impulso de tomar uma decisão sabidamente errada. Foi depois desse plantão, apenas, que eu decidi procurar tratamento, porque até então os episódios haviam sido muito isolados, mas a minha ansiedade já estava fora de controle muito antes disso.

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Insônia e distúrbios do sono, inquietude, dificuldade de concentração, irritabilidade: Estes sintomas são um pouco mais óbvios e conhecidos da maioria das pessoas, mesmo as não ansiosas. Nos últimos anos, que foram de muitas mudanças, frequentemente tenho o sono conturbado (sonho muitas coisas sem sentido, às vezes falo enquanto durmo – e eu mesma consigo me ouvir e lembrar que falei – e aí acordo cansada. Isso quando não perco o sono por completo). Minha inquietude se caracteriza mais pelos comportamentos de automutilação que descrevi anteriormente que por não parar de mexer as pernas ou estalar os dedos, por exemplo, que são coisas que outros ansiosos comumente fazem.

Adicionalmente, pra uma pessoa ansiosa, demorar pra receber uma resposta de alguém (mesmo que via Whatsapp sobre algum assunto banal como combinar o café de amanhã), ser deixado esperando além do horário combinado, ou receber o “tratamento de silêncio” pode ter efeitos devastadores, que vão de revisar os últimos cinco anos de nossas conversas e relacionamentos pra tentar descobrir se foi por algo que a gente possa ter feito ou dito, telefonar pro IML, o hospital e a polícia pra saber se você morreu, a efeitos físicos extremamente desconfortáveis como sudorese, palpitações, enxaqueca, crises de pânico, vômitos e diarreias. Então saiba que, se você está querendo ser um cuzão com alguém ansioso através desse tipo de comportamente, você está conseguindo. Mas, em algum momento, esse ansioso ou ansiosa vai reconhecer isso e simplesmente sumir da sua vida sem olhar pra trás por não aguentar mais sofrer, e não porque ele não se importa com você. Então, se você se importa com esse ansioso, diga logo qual é o problema ou a situação, porque ele não lida com um “precisamos conversar” da mesma forma que você.

E como é o tratamento da ansiedade?

Inicialmente, você precisa de um diagnóstico de um médico psiquiatra. Você só vai procurar o médico quando se convencer de que tem alguma coisa realmente muito errada com você, e, acredite, geralmente a gente espera demais por esse momento e só toma essa decisão forçado por alguém próximo ou porque você finalmente reconhece que não consegue mais controlar sua mente e não tem mais dias de paz. Semelhante ao que acontece em casos de outros transtornos mentais, então o que segue vai valer também pra quem enfrenta outros tipos de doenças da mente.

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Isso acontece porque temos medo do diagnóstico, medo do estigma, dos rótulos, dos julgamentos, das fofocas, dos antidepressivos e dos seus efeitos – principalmente impotência sexual e falta de libido ou dependência química, física e psicológica – de não encontrar um bom profissional e ser enganado, e até de não conseguir melhorar mesmo com todos os esforços.

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Ainda há muito desconhecimento sobre transtornos mentais e seu tratamento, e como as pessoas em geral não sabem o que é lidar com esse tipo de problema, espalham mensagens erradas (como esta acima) por aí, e a gente pensa que é fraco por não conseguir lidar com nossos problemas e conflitos sem se deixar abater tanto por eles – como a gente acha que as pessoas “normais” fazem e deveríamos fazer também. Sim, a gente pensa até que é anormal ou mesmo louco por conta disso, o que gera mais culpa, diminui a autoestima e aumenta o estigma. Mas a realidade é muito diferente:

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Você não é anormal (e o que é normalidade? “Mas deveras estariam eles doidos, e foram curados por mim, ou o que pareceu cura não foi mais do que a descoberta do perfeito desequilíbrio do cérebro?”), você só não está bem! E se você está enfrentando problemas com os quais não está conseguindo mais lidar sozinho e acredita que deve buscar ajuda profissional, vá. Busque referências sobre o médico e terapeuta, olhe pra dentro de si e procure saber mais sobre como você se sente, tente entender um pouco o que você tem ou acha que tem pra estar munido de alguma informação quando comparecer às consultas, e continue pesquisando e aprendendo sobre os seus conflitos. Só você sabe o que está sentindo e os prejuízos que tudo isso vem lhe causando e um diagnóstico errado pode te atrapalhar ainda mais. Observe-se o tempo todo. Acompanhe como a medicação e a terapia te fazem sentir. Mantenha um diário se for necessário, ou faça anotações, e descreva tudo isso pros profissionais que estão te acompanhando.

Abra o jogo. Conte pra familiares, amigos, colegas de trabalho e superiores o que você vem passando. Você vai se surpreender com a quantidade de gente ao seu redor que lida com dores parecidas com as suas, vai saber que não está sozinho nessa, e ainda vai aprender a identificar quem são os cretinos que te cercam – será muito útil pra sua recuperação (e pra sua vida!) se livrar dessas pessoas tóxicas! Você não é fraco por ter um transtorno, você é forte por ter escolhido reconhecê-lo, assumi-lo e enfrentá-lo.

Muitas pessoas vão passar suas vidas inteiras tentando se convencer de que não tem nada de errado com elas, mesmo quando tem porque tudo que fazem é atropelar as pessoas ao seu redor, e estas pessoas vão se afundando na lama e levando todos ao seu redor junto. Talvez (ou muito provavelmente), a convivência muito próxima com uma destas seja a causa do seu problema. Ela sugou sua sanidade, sua energia e sua alegria. Então não seja como ela  e vá  atrás do seu bem estar. Reconheça que você não pode ajudá-la enquanto ela se recusar a olhar pra si. Cuide de você, sem culpa, e deixe que a vida se encarregue de ensinar àqueles que podem aprender alguma coisa.

Os remédios vão ser o teu primeiro aliado. Eles levam cerca de dois meses para você começar a sentir algum efeito, e ao longo do tratamento você provavelmente vai trocar de medicação ou alterar a dosagem, conforme as suas necessidades. Logo após esse período, você vai começar a sentir um alívio. Vai conseguir dormir, coisa que não acontecia há tanto tempo. Talvez acorde se sentindo um pouco cansado, ainda assim – o que é normal -, mas se sentir muito cansado, relate ao seu médico, pois pode ser o caso de trocar a medicação por outra. Você vai conseguir parar e sentir a brisa e o sol no teu rosto, observar uma flor desabrochando, um nascer ou por-do-sol bonito, sentir um cheiro de comida que você gosta na rua, perceber o barulho do mar, ouvir o canto dos pássaros, todas essas coisas que passavam batido porque os seus dias eram sem cor, sem gosto e sem cheiro, porque nada mais te dava alegria ou lhe fazia sorrir. Vai sorrir pra alguém na rua, dar bom dia pra atendente da padaria, conversar com a vizinha no elevador.

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Aos poucos, você vai tendo clareza pra tomar decisões, vendo quem deve sair ou permanecer na sua vida, se vale a pena sair de casa pra algum evento que estão te forçando a ir ou se você realmente preferia assistir uma comédia e comer pipoca (ou vice-versa – talvez seja a hora de parar de fazer maratona de séries e sair pra dançar, tomar um banho de sol, encontrar aquele velho amigo que você sempre diz “vamos marcar” e some, e se divertir um pouco!).

Aí você começa a pensar o que pode te ajudar a se sentir ainda melhor, porque sabe que são os remédios agindo e que você não vai – e nem quer – tomá-los pra sempre. Aí você pesquisa, conhece outras pessoas, faz matrícula na yoga ou na academia, baixa uns áudios de meditação, diminui o álcool e depois nem sente mais vontade desesperada daquela cerveja na sexta à noite pra esquecer da semana ruim, nem de tomar litros de café pra acordar. Consegue comer doce ou pizza com moderação, sem culpa, e sem fazer vexame. Olha no espelho e se acha atraente pela primeira vez em muito tempo, mesmo estando com umas olheiras, umas ruguinhas e talvez uns quilos a mais. Posta foto sem photoshop e não está nem aí pra ser musa ou muso do Instagram. Reconhece que não precisa ser perfeito, e que não precisa ser tão exigente com os outros, nem consigo. Decide que aquela carreira ou aquele relacionamento já não te acrescentam em nada, só te subtraem, e planeja o próximo passo. Aprende que falhar não é o fim do mundo e que fracasso só existe quando a gente desiste de tentar.

Agora você se reconhece e, talvez pela primeira vez na vida, começa a se conhecer, a saber do que realmente gosta, o que realmente quer pra sua vida, vai atrás dos seus interesses, e, consequentemente, acaba conhecendo pessoas com interesses similares aos seus. E aí você fala de sentimento e vocês se conectam em um outro nível, falam de dores, angústias, anseios, desejos. Suas amizades agora são com pessoas que lhe motivam e inspiram a ser melhor, ampliam o seu conhecimento e horizontes e lhe apresentam um mundo de novas possibilidades.

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Descobre que você no fundo não odiava pessoas, só estava cercado das pessoas erradas,. Até porque você também estava errado. E vê que o mundo só pode ser um lugar bom se você fizer o bem. Que não existe somente aquele mundo egoísta, feio e violento no qual você acreditava viver e que te assustava tanto – e pro qual você contribuía e nem tinha consciência: quando descontava suas frustrações no outro, quando sentia inveja, quando era egoísta, quando achava que era melhor que os outros e que merecia mais algo que eles conquistaram e você queria mas não conseguiu. Ao invés de ressentir, você passa a se inspirar por essas pessoas. Aprende com elas. Em um ponto, é você quem vai inspirar aos outros, ensinando o que sabe e partilhando o que tem!

Não se desespere mais frente aos obstáculos. Não tenha mais medo de errar, e tropeçar, e cair, e se machucar, pois saiba que você vai levantar e vai passar. Entregue-se aos relacionamentos que aparecerem pelo seu caminho sem precisar de máscaras e se permita conhecer ao outro da mesma maneira. E, quando e se acabar, o que fica de lembrança é bom, não sofrimento (você já aprendeu a identificar quem te faria sofrer intencionalmente no primeiro contato e virou as costas e foi embora).

E, no terceiro dia depois que você reduziu a sua medicação, vai acordar com uma dor de cabeça terrível, passar a noite em claro, e vai começar – cansado, frustrado e de mau humor – a escrever sobre seus problemas, mas terminar sorrindo e dizendo o quanto a vida é bela.

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